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5月2日 Manuel Bandeira Preparação para a morte
A vida é um milagre.
Cada flor,
Com sua forma, sua cor, seu aroma,
Cada flor é um milagre.
Cada pássaro,
Com sua plumagem, seu vôo, seu canto,
Cada pássaro é um milagre.
O espaço, infinito,
O espaço é um milagre.
O tempo, infinito,
O tempo é um milagre.
A memória é um milagre.
A consciência é um milagre.
Tudo é um milagre.
Tudo, menos a morte.
-Bendita a morte, que é o fim de
[Todos os milagres.
Mário QuintanaMeu Quintana, os teus cantares São feitos esses cantares Ao ar dos melhores ares, 4月28日 A arte, quando nas mãos de homens livres, pode servir como método de meditaçãoe como um caminho na direção do conhecimento; porém, é ainda uma atividade indispensável para a buscada liberdade. Contrariamente, quando nas mãos de homens de poder e de marchands, a arte é utilizada como fetiche, como símbolos de status ( acumulador de mais valia). Este é um dos principais paradoxos da sociedade de consumo.
4月27日 Castro AlvesO gondoleiro do amor
Barcarola Dama negra Teus olhos são negros, negros, Como as noites sem luar... São ardentes, são profundos, Como o negrume do mar; Sobre o barco dos amores, Da vida boiando à flor, Douram teus olhos a fronte Do Gondoleiro do amor. Tua voz é a cavatina Dos palácios de Sorrento, Quando a praia beija a vaga, Quando a vaga beija o vento; E como em noites de Itália, Ama um canto o pecador, Bebe a harmonia em teus cantos O Gondoleiro do amor. Teu sorriso é uma aurora, Que o horizonte enrubesceu, — Rosa aberta com biquinho Das aves rubras do céu. Nas tempestades da vida Das rajadas no furor, Foi-se a noite, tem auroras O Gondoleiro do amor. Teu seio é vaga dourada Ao tíbio clarão da lua, Que, ao murmúrio das volúpias, Arqueja, palpita nua; Como é doce, em pensamento, Do teu colo no langor Vogar, naufragar, perder-se O Gondoleiro do amor!? ... Teu amor na treva é — um astro, No silêncio uma canção, É brisa — nas calmarias, É abrigo — no tufão; Por isso eu te amo, querida, Quer no prazer, quer na dor,... Rosa! Canto! Sombra! Estrela! Do Gondoleiro do amor. Recife, janeiro de 1867. ColombinaOlha-me assim, Pierrot... Nada mais belo existe 4月26日 Amigos...Amizade como a sua me faz sorri... Te Amo de Montão amigo..... Sou feliz ao seu lado....
4月20日 DrummondJosé
E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, Você? Você que é sem nome, que zomba dos outros, Você que faz versos, que ama, proptesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José? E agora, José? sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio, - e agora? Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora? Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse, a valsa vienense, se você dormisse, se você consasse, se você morresse.... Mas você não morre, você é duro, José! Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja do galope, você marcha, José! José, para onde? Chico Buarque de HolandaConstrução
Manuel Bandeiras
Vou-me embora pra Pasárgada Carlos Drummond de AndradeAs sem-razões do amor Walter MedeirosEmbolada no mundo de Shakspeare
Quero contar pra vocês Uma história interessante De um povo bem falante Pois agora é minha vez Sheakspeare é o autor Da história de Otelo Não sei se era donzelo Pois nisso ele não falou
Desdêmona, sua mulher Gerava desconfiança Pois usava até trança Iludindo a boa fé Iago era o alferes Um homem muito ardiloso Dizem que era até dengoso No trato com as mulheres
Ele convenceu Otelo De que a sua bela esposa Corria mais que raposa Atrás de um homem mais belo Iago roubou um lenço Que só Desdêmona tinha E com sua ma fé todinha Deixou Otelo suspenso
Aquele alferes tão falso Fez mais uma presepada Pois o lenço da coitada Ele entregou a Cássio. E Otelo inda dizia Para seu amigo Iago Que o assunto era vago Ruindade nela não via
A coisa era mais braba Pois com tal descaramento O Cássio, que home nojento, Passou o lenço na barba Pois o mouro de Veneza Como Otelo era chamado Findou sendo corneado Em sua vida burguesa
Ele era um mouro nobre Que a República servia Trabalhava noite e dia Em meio a ferro e cobre Ao seu redor, senador, Fidalgo e o alferes Tinha o bobo e as mulheres Nem amante ali faltou
Marinheiro, oficiais, Gentis homens, mensageiros, Arautos e violeiros, Quase ele não tinha paz Mas não foi só sobre Otelo Que o Sheakspeare escreveu Ele também discorreu Sobre floresta e castelo
Ele era persuasivo Em tudo que escrevia Mesmo sendo fantasia Era tudo muito vivo Teve a Lady Macbeth Que em sua persuasão Convenceu o seu barão A esquecer qualquer fé
Mandou que matasse o rei Parecia até seu dono Pois ela queria o trono Mesmo por cima da lei. Era muito egoísmo, Invejas e ambições, Dores, ciúmes, paixões, Tinha até muito cinismo
Teve o Próspero, coitado! Que numa estranha aliança Buscou a sua vingança Em espíritos aliado. A maldade se reveza Nas horas e nos minutos Pois Cassius convenceu Brutus A matar o Júlio César
E o rei da Dinamarca Em fantasma transformado Convenceu seu filho amado Hamlet a lhe vingar. E Romeu e Julieta Que coisa triste e brutal Era um feliz casal Montéquio e Capuleto
Pois tanto eles se amaram Mesmo contra os seus pais Odientos e brutais Que enfim se suicidaram. Ainda nessa viagem Encontramos a megera Que nunca se desespera Mas que levou desvantagem
O Petrúquio quem domou A Catarina arredia Dócil feito uma cotia Submissa ela ficou Aquele autor memorável Mostrou a fraqueza humana De forma muito bacana Por isto é recomendável
Falou de força, fraqueza, Também de felicidade, Gozo, angústia, vaidade, Era tudo uma beleza Sheakspeare era fantástico Dizem muitos entendidos Em seus romances sabidos Era leve e era drástico
Escrevendo tudo à mão Era um autor medonho Basta ler sobre o sonho De uma noite de verão Ali foi muito completo Para Hermínia e Lisandro Que de um elfo foi ganhando Aquele seu novo afeto
Inefável, uma beleza Que só pode emocionar Quando ler e apreciar O mercador de veneza É uma tragicomédia Onde Pórcia e Bassânio Tiveram idéia de crânio Shilock abala a platéia
Agora vou acabar Pois senão acaba a graça Vão ler o texto da farsa Que eu quero agora lanchar Por isso aqui me despeço Vou saindo de fininho Mas tudo eu fiz com carinho Neste montinho de verso. Ze da LuzAi! Se sêsse!...
Se um dia nós se gostasse; Se um dia nós se queresse; Se nós dos se impariásse, Se juntinho nós dois vivesse! Se juntinho nós dois morasse Se juntinho nós dois drumisse; Se juntinho nós dois morresse! Se pro céu nós assubisse? Mas porém, se acontecesse qui São Pêdo não abrisse as portas do céu e fosse, te dizê quarqué toulíce? E se eu me arriminasse e tu cum insistisse, prá qui eu me arrezorvesse e a minha faca puxasse, e o buxo do céu furasse?... Tarvez qui nós dois ficasse tarvez qui nós dois caísse e o céu furado arriasse e as virge tôdas fugisse!!! Garcia LorcaO poeta pede a seu amor que lhe escreva
Amor de minhas entranhas, morte viva, em vão espero tua palavra escrita e penso, com a flor que se murcha, que se vivo sem mim quero perder-te. O ar é imortal. A pedra inerte nem conhece a sombra nem a evita. Coração interior não necessita o mel gelado que a lua verte. Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias, tigre e pomba, sobre tua cintura em duelo de mordiscos e açucenas. Enche, pois, de palavras minha loucura ou deixa-me viver em minha serena noite da alma para sempre escura. Fernando PessoaEu amo tudo o que foi, Tudo o que já não é, A dor que já me não dói, A antiga e errônea fé, O ontem que dor deixou, O que deixou alegria Só porque foi, e voou E hoje é já outro dia.
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