Priscila Jannuz... 的个人资料Minha voz não chega aos ...照片日志列表 工具 帮助

Jannuzzi Priscila

第 1 张,共 70 张
更多相册 (1)
5月2日

Manuel Bandeira

   Preparação para a morte
 
 
 
A vida é um milagre.
Cada flor,
Com sua forma, sua cor, seu aroma,
Cada flor é um milagre.
Cada pássaro,
Com sua plumagem, seu vôo, seu canto,
Cada pássaro é um milagre.
O espaço, infinito,
O espaço é um milagre.
O tempo, infinito,
O tempo é um milagre.
A memória é um milagre.
A consciência é um milagre.
Tudo é um milagre.
Tudo, menos a morte.
-Bendita a morte, que é o fim de
                    [Todos os milagres.
 
 

Mário Quintana

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares.

4月28日

A arte, quando nas mãos de homens livres, pode servir como método de meditaçãoe como um caminho na direção do conhecimento; porém, é ainda uma atividade indispensável para a buscada liberdade. Contrariamente, quando nas mãos de homens de poder e de marchands, a arte é utilizada como fetiche, como símbolos de status ( acumulador de mais valia). Este é um dos principais paradoxos da sociedade de consumo.
 
4月27日

Castro Alves

O gondoleiro do amor


Barcarola


Dama negra


Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;


Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
Do Gondoleiro do amor.


Tua voz é a cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento;


E como em noites de Itália,
Ama um canto o pecador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.


Teu sorriso é uma aurora,
Que o horizonte enrubesceu,
— Rosa aberta com biquinho
Das aves rubras do céu.


Nas tempestades da vida
Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.


Teu seio é vaga dourada
Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua;


Como é doce, em pensamento,
Do teu colo no langor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!? ...


Teu amor na treva é — um astro,
No silêncio uma canção,
É brisa — nas calmarias,
É abrigo — no tufão;


Por isso eu te amo, querida,
Quer no prazer, quer na dor,...
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor.


Recife, janeiro de 1867.

Colombina

Olha-me assim, Pierrot... Nada mais belo existe 
que um Pierrot muito branco e um olhar muito triste... 
Os teus olhos, Pierrot, são lindos como um verso. 
Minh’alma é uma criança, e teus olhos um berço 
com cadências de vaga e, à luz do teu olhar, 
tenho ânsias de dormir, para poder sonhar! 
Olha-me assim, Pierrot... Os teus olhos dardejam! 
São dois lábios de luz que as pupilas me beijam... 
São dois lagos azuis à luz clara do luar... 
São dois raios de sol prestes a agonizar... 
Olha-me assim Pierrot... Goza a felicidade 
de poluir com esse olhar a minha mocidade 
aberta para ti como uma grande flor, 
meu amor...meu amor...meu amor... 

4月26日

Amigos...

 
Amizade  como a sua me faz sorri... Te Amo de Montão amigo..... Sou feliz ao seu lado....
 
 
 
4月20日

Drummond

José


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, proptesta?
e agora, José?


Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?


E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?


Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?


Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você consasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!


Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Chico Buarque de Holanda

Construção                   
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

 

Manuel Bandeiras

 

Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
 

Carlos Drummond de Andrade

As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
 

Walter Medeiros

Embolada no mundo de Shakspeare
 
 

Quero contar pra vocês

Uma história interessante

De um povo bem falante

Pois agora é minha vez

Sheakspeare é o autor

Da história de Otelo

Não sei se era donzelo

Pois nisso ele não falou  

 

 

Desdêmona, sua mulher

Gerava desconfiança

Pois usava até trança

Iludindo a boa fé

Iago era o alferes

Um homem muito ardiloso

Dizem que era até dengoso

No trato com as mulheres

 

 

Ele convenceu Otelo

De que a sua bela esposa

Corria mais que raposa

Atrás de um homem mais belo

Iago roubou um lenço

Que só Desdêmona tinha

E com sua ma fé todinha

Deixou Otelo suspenso  

 

 

Aquele alferes tão falso

Fez mais uma presepada

Pois o lenço da coitada

Ele entregou a Cássio.

E Otelo inda dizia

Para seu amigo Iago

Que o assunto era vago

Ruindade nela não via  

 

 

A coisa era mais braba

Pois com tal descaramento

O Cássio, que home nojento,

Passou o lenço na barba

Pois o mouro de Veneza

Como Otelo era chamado

Findou sendo corneado

Em sua vida burguesa

 

 

Ele era um mouro nobre

Que a República servia

Trabalhava noite e dia

Em meio a ferro e cobre

Ao seu redor, senador,

Fidalgo e o alferes

Tinha o bobo e as mulheres

Nem amante ali faltou

 

 

Marinheiro, oficiais,

Gentis homens, mensageiros,

Arautos e violeiros,

Quase ele não tinha paz

Mas não foi só sobre Otelo

Que o Sheakspeare escreveu

Ele também discorreu

Sobre floresta e castelo

 

 

Ele era persuasivo

Em tudo que escrevia

Mesmo sendo fantasia

Era tudo muito vivo  

Teve a Lady Macbeth

Que em sua persuasão

Convenceu o seu barão

A esquecer qualquer fé

 

Mandou que matasse o rei

Parecia até seu dono

Pois ela queria o trono

Mesmo por cima da lei.

Era muito egoísmo,

Invejas e ambições,

Dores, ciúmes, paixões,

Tinha até muito cinismo

 

Teve o Próspero, coitado!

Que numa estranha aliança

Buscou a sua vingança

Em espíritos aliado.

A maldade se reveza

Nas horas e nos minutos

Pois Cassius convenceu Brutus

A matar o Júlio César

 

E o rei da Dinamarca

Em fantasma transformado

Convenceu seu filho amado

Hamlet a lhe vingar.

E Romeu e Julieta

Que coisa triste e brutal

Era um feliz casal

Montéquio e Capuleto

 

Pois tanto eles se amaram

Mesmo contra os seus pais

Odientos e brutais

Que enfim se suicidaram.

Ainda nessa viagem

Encontramos a megera

Que nunca se desespera

Mas que levou desvantagem

 

O Petrúquio quem domou

A Catarina arredia

Dócil feito uma cotia

Submissa ela ficou

Aquele autor memorável

Mostrou a fraqueza humana

De forma muito bacana

Por isto é recomendável

 

Falou de força, fraqueza,

Também de felicidade,

Gozo, angústia, vaidade,

Era tudo uma beleza

Sheakspeare era fantástico

Dizem muitos entendidos

Em seus romances sabidos

Era leve e era drástico

 

Escrevendo tudo à mão

Era um autor medonho

Basta ler sobre o sonho

De uma noite de verão

Ali foi muito completo

Para Hermínia e Lisandro

Que de um elfo foi ganhando

Aquele seu novo afeto

 

Inefável, uma beleza

Que só pode emocionar

Quando ler e apreciar

O mercador de veneza

É uma tragicomédia

Onde Pórcia e Bassânio

Tiveram idéia de crânio

Shilock abala a platéia

 

Agora vou acabar

Pois senão acaba a graça

Vão ler o texto da farsa

Que eu quero agora lanchar

Por isso aqui me despeço

Vou saindo de fininho

Mas tudo eu fiz com carinho

Neste montinho de verso.  

Ze da Luz

Ai! Se sêsse!...


Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

Garcia Lorca

O poeta pede a seu amor que lhe escreva

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.


Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

Fernando Pessoa

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa, 1931.
 
作者 
作者 
作者 
作者 
作者 
作者